Trecho completo do Livro um modo inteligente de instalar um vírus:
A QUEDA DA REDE
Dia/Hora: Segunda-feira, 12 de fevereiro, 15h25.
Local: Escritórios da Estaleiros Starboard
A primeira ligação: Tom DeLay
Tom DeLay, Contabilidade."
"Olá, Tom, aqui é Eddie Martin do Help Desk.
Estamos tentando solucionar um problema
de rede de um computador. Você sabe se alguém do seu grupo vêm tendo
problemas para permanecer conectado?"
"Hum, não que eu saiba."
"E você não está tendo problemas?"
"Não, tudo parece bem."
"Bem, isso é bom. Ouça, estamos ligando para as pessoas que podem ser afetadas, por
isso é Importante que você nos informe imediatamente se perder a sua conexão
de rede."
"Isso não parece bom.
Você acha que pode acontecer?"
"Esperamos que não, mas você liga se acontecer alguma coisa, certo?"
"Pode acreditar que sim."
"Ouça, parece que ficar sem a conexão de rede é problema para você..."
"Pode apostar que seria."
"...então enquanto estamos falando disso, vou dar o número do meu telefone celular. Se
precisar, você pode ligar direto para mim."
"Isso seria ótimo."
"O número é 555-867-5309."
"555-867-5309. Entendi, obrigado. Qual é mesmo o seu nome?"
"É Eddie."
Mais uma coisa, preciso verificar o número de porta ao qual o seu computador
está conectado.
Dê uma olhada no seu computador e veja se há uma etiqueta em
algum lugar dizendo algo como 'Número de porta'."
"Espere um pouco... Não. não vejo nada parecido."
"OK, então na parte de trás do computador você consegue reconhecer o cabo de rede?"
"Sim."
"Veja onde ele está ligado.
Veja se há uma etiqueta no conector ao qual ele está
ligado."
"Espere um pouco.
Sim, espere aí, tenho de me ajoelhar para chegar mais perto e ler,
Muito bem, é a porta 6 traço 47."
"Bom, é isso o que tínhamos, só queria ter certeza"
A segunda ligação: o cara de TI
Dois dias depois, uma ligação foi recebida no Centro de Operações de Rede da mesma
empresa.
"Olá, aqui é Bob. Trabalho na Contabilidade do escritório de Tom DeLay. Estamos
tentando solucionar um problema de cabo.
Preciso desativar a Porta 6-47."
O rapaz de TI disse que isso seria feito em alguns minutos e pediu que eles avisassem
quando poderiam ativar novamente a porta.
A terceira ligação: conseguindo ajuda do inimigo
Cerca de uma hora mais tarde, o suposto Eddie Martin estava fazendo compras na Circuit
City quando seu telefone celular tocou. Ele verificou o número que estava ligando, viu
que a chamada tinha sido feita do estaleiro e correu para um lugar tranqüilo antes de
atender.
"Serviço ao Cliente. Eddie."
"Olá, Eddie.
Estou ouvindo um eco, onde você está?"
'Estou em um gabinete de cabos. Quem está falando?"
"Aqui é Tom DeLay. Rapaz, estou feliz em falar com você. Talvez se lembre de mim, você
me ligou outro dia. A minha conexão de rede acabou de cair como você disse que
aconteceria e estou meio em pânico aqui."
"É, temos um monte de gente assim agora. Até o final do dia tudo estará resolvido. Tudo
bem?"
"NÃO! Droga, vou me atrasar muito se tiver de esperar tanto.
Qual é o melhor prazo que
você tem para mim?"
"Qual é a sua urgência?"
"Posso fazer outras coisas agora. Há alguma chance de você consertar isso em meia
hora?"
"MEIA HORA! Você não está querendo muito?
Bem, vejamos, vou parar o que estou
fazendo e ver se consigo resolver isso para você."
"Olha, obrigado mesmo, Eddie."
A quarta ligação: você conseguiu!
Quarenta e cinco minutos depois...
Tom? Aqui é o Eddie. Tente se conectar na rede agora.".
Após alguns momentos:
"Ah, que bom está funcionando. Isso é ótimo."
"Bom, estou feliz que consegui cuidai disso para você."
"Sim, muito obrigado."
"Ouça. se quiser ter certeza de que a sua conexão não vai cair novamente, você precisa
executar alguns softwares. Isso só vai levar uns minutos."
"Mas agora não é uma hora boa."
"Entendo... Mas isso poderia evitar grandes dores de cabeça para nós dois da próxima
vez que esse problema de rede acontecesse de novo."
"Bom... se são apenas alguns minutos."
"Faça o seguinte..."
Eddie instruiu Tom para fazer o download de um pequeno aplicativo de um site Web.
Após o programa ser carregado. Eddie disse a Tom para clicar duas vezes nele. Ele
tentou, mas disse:
"Não está funcionando. Não está acontecendo nada."
"Ah. que pena. Deve haver algo de errado com o programa. Vamos nos livrar dele.
podemos tentar novamente outra hora."
E instruiu Tom para excluir o programa de
modo que ele não pudesse ser recuperado.
Tempo total decorrido: doze minutos.
A história do atacante:
Bobby Wallace sempre achou que era uma piada quando ele pegava um bom trabalho como esse e
seu cliente evitava responder a pergunta que ninguém fazia, mas que era óbvia: por que eles queriam
as informações.
Neste caso, ele só podia imaginar dois motivos.
Talvez eles representassem alguma
organização que estava interessada em comprar a empresa-alvo, a Starboard, e quisessem saber exatamente
qual era a sua situação financeira — particularmente
todas aquelas coisas que o alvo poderia
querer esconder do comprador em potencial.
Ou talvez eles representassem investidores que achavam
que havia algo de estranho no modo como o dinheiro estava sendo tratado e queriam descobrir se
algum executivo poderia ser pego com "a mão na botija".
E talvez o seu cliente também não quisesse lhe dizer o verdadeiro motivo, porque se Bobby
soubesse como as informações eram valiosas, ele provavelmente iria querer mais dinheiro para fazer
o trabalho.
Existem várias maneiras de invadir os arquivos mais secretos de uma empresa.
Bobby passou
alguns dias pensando nas opções e fazendo algumas verificações antes de resolver que plano iria usar.
Ele optou por um que pedia uma abordagem de que gostava muito, na qual o alvo é definido para
pedir ajuda ao atacante.
Para os iniciantes, Bobby escolheu um telefone celular pré-pago de US$ 39,95, em uma loja de
conveniência. Ele fez uma ligação para o homem que havia sido escolhido como seu alvo, fingiu ser
do help desk da empresa e organizou as coisas para que o homem ligasse para o telefone celular de
Bobby a qualquer momento que houvesse um problema com a sua conexão de rede.

Ele deu uma pausa de dois dias para não parecer tão óbvio e, em seguida, ligou para o centro
de operações de rede da empresa (NOC).
Ele disse que estava solucionando um problema para
Tom,
o alvo, e pediu que a conexão de rede de Tom fosse desligada.
Bobby sabia que essa era a
parte mais complicada de todo o plano — em muitas empresas, o pessoal do help desk trabalha
junto com o NOC; na verdade, ele sabia que o help desk geralmente faz parte da organização de
TI.
Mas o indiferente rapaz do NOC com quem ele falou tratou a ligação como rotina, não pediu o
nome do funcionário que deveria estar trabalhando no problema de rede e concordou em desativar
a porta de rede do alvo.
Quando tudo estava pronto. Tom estaria totalmente isolado da intranet da
empresa, incapaz de recuperar arquivos do servidor, de trocar arquivos com seus colegas, de fazer
o download das suas mensagens de correio eletrônico ou mesmo de enviar uma página de dados
para a impressora.
No mundo de hoje, isso é como morar em uma caverna.
Como Bobby esperava, não demorou muito para o seu celular tocar.
E claro que ele deu a impressão
de estar disposto a ajudar esse pobre "colega de trabalho" com problemas. Em seguida, ligou para
o NOC e fez com que a conexão de rede do homem voltasse.
Finalmente, ele ligou para o homem
e manipulou a sua credulidade mais uma vez, desta vez fazendo-o sentir-se culpado por dizer não
depois que Bobby lhe havia prestado um favor.
Tom concordou com a solicitação de descarregar um
software no seu computador.

Aquilo com o qual ele concordou não era o que parecia. O software que Tom descarregou como
algo que evitaria que a sua conexão fosse desligada era. na verdade, um Cavalo de Tróia, um aplicativo
de software que fez no computador de Tom aquilo que a fraude original havia feito para os
troianos: ele trouxe o inimigo para dentro do campo de batalha.
Tom relatou que nada havia acontecido
quando clicou duas vezes no ícone do software; o fato era que, por projeto, ele não veria nada
acontecendo, embora o pequeno aplicativo estivesse instalando um programa secreto que permitiria
ao inimigo infiltrado ocultar o acesso ao computador de Tom.
Com o software em execução, Bobby leve o controle completo do computador de Tom através de
uma aplicação-cliente repleta de shells de comandos remotos.
Quando Bobby acessava o computador
de Tom, ele podia procurar os arquivos da contabilidade que lhe interessavam e podia copiá-los.
Em
seguida, quando quisesse, ele poderia examiná-los para obter as informações que dariam a seus clientes
aquilo que eles estavam procurando.
E isso não era tudo. Ele poderia voltar a qualquer momento para pesquisar as mensagens de
correio eletrônico e os memorandos particulares dos executivos da empresa, poderia executar uma
pesquisa de texto com as palavras que revelariam partes interessantes da informação.
Naquela noite, depois de enganar o seu alvo para que ele instalasse um Cavalo de Tróia, Bobby
jogou o telefone celular em uma lata de lixo.
Obviamente, ele teve o cuidado de limpar primeiro a
memória e tirar a bateria — a última coisa que ele queria era que alguém ligasse para o número do
celular por engano e fizesse o telefone tocar!
Analisando a trapaça
O atacante cria uma teia para convencer o alvo de que ele tem um problema que na verdade não existe
ou, como neste caso, de um problema que ainda não aconteceu, mas que o atacante sabe que acontecerá
porque ele vai causá-lo.
Em seguida, ele se apresenta como a pessoa que pode fornecer a solução.
O cenário desse tipo de ataque é particularmente suculento para o atacante.
Devido à semente
plantada com antecedência, quando o alvo descobre que tem um problema, ele mesmo faz a ligação
telefônica para implorar ajuda.
O atacante só tem de se sentar e esperar que o telefone toque, uma tática
conhecida na área como engenharia social inversa.
Um atacante que consegue fazer o alvo ligar
para ele ganha credibilidade constante.
Se eu fizer uma ligação para alguém que acho que trabalha
no help desk, não vou começar a pedir que ele prove a sua identidade.
É nesse ponto que o atacante
sabe que conseguiu.
Em um golpe como esse, o engenheiro social tenta escolher um alvo que tenha conhecimentos
limitados de computadores.
Quanto mais ele souber, maiores as chances de ele suspeitar ou descobrir
que está sendo manipulado.
Aquele que às vezes chamo de funcionário com um desafio de computador,
que tem menos conhecimento da tecnologia e dos procedimentos, tem mais chances de colaborar.
Ele tem mais chances de cair em uma armadilha do tipo "Basta fazer o download de um programa
pequeno" porque não tem a menor ideia do dano em potencial que um programa de computador pode
causar Alem disso, há uma chance bem menor de que ele entenda o valor das informações que estão
na rede de computadores que ele está colocando em risco.